Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/1367
Tipo: Dissertação
Título: Com a palavra, o índio: uma introdução ao estudo das representações no mundo Terena
Autor(es): Marchewicz, Rosa Maria Santana
Abstract: O objetivo desta pesquisa foi evidenciar, por meio da análise de práticas discursivas, a relação entre a produção de discursos narrativos e as representações elaboradas acerca dos processos de aculturação e de (des)identificação do povo Terena, destacando mudanças e valores nos planos religioso, social, lingüístico e de afirmação étnica. O córpus é constituído por dezoito relatos orais e duas versões do mito de origem, em que buscamos a natureza das representações. Foram entrevistados dezoito índios Terena, de ambos os sexos e diferentes faixas etárias, das Aldeias Bananal, Ipegue, Imburussú, Lagoinha e Água Branca, situadas no município de Aquidauana-MS. Com base no princípio segundo o qual a análise lingüística pode ser um método para estudar a mudança social (FAIRCLOUGH, 2001), as análises focalizam as estruturas ou construções lingüísticas e a força dos enunciados (promessas, ordens, ameaças), procurando chegar à relação entre as práticas discursivas e as práticas sociais, bem como à identificação das transformações nas relações de poder representadas nas entrevistas. Organiza-se esta exposição em dois capítulos: no primeiro - "Conhecendo o povo Terena" -, encontra-se uma breve história da etnia, focalizando sua distribuição em terras brasileiras; o segundo - "Crenças e mitos: representações no mundo Terena" - estende-se de considerações sobre o conceito de mito e sua extensão nas sociedades contemporâneas até uma breve análise de duas versões escritas do mito de origem dos Terena e a análise das entrevistas. A pesquisa evidenciou a importância social da linguagem nas mudanças na vida social e sua influência nas relações e nas identidades sociais e, pois, nas práticas discursivas. A formação imaginária que se tem dos mais velhos é de sujeitos que sabem o que dizem porque trazem a herança enraizada da história de seu povo. Já a imagem que eles têm de si é de sujeitos subordinados às crenças e mitos do povo Terena, que, aceitando essa cultura, garantirão sua existência, reafirmando sua identidade. Mesmo o Terena mais jovem reconhece que os mais velhos têm autonomia para lhe falar "assim". Apenas um dos entrevistados (o mais jovem de todos) vê os mais velhos e seus discursos como herança passada, possivelmente por influência da escola e da cultura do branco, e, portanto, parece não ser mais afetado pelo discurso da tradição Terena. O lugar de enunciação, garantido lá no Mito de Origem, parece deslocar-se, no discurso das entrevistas: ali, alguns Terena já não falam do lugar de Terena, mas, como o não-índio, falam sobre o índio: parecem haver incorporado a imagem de que necessitam do outro para falar sobre e por eles. Na verdade, parecem assumir seu "pertencimento" a uma cultura que não é terena, comprovando o que historiadores e antropólogos têm discutido há décadas (senão séculos): os índios perderam a voz. Quanto ao preconceito e ao descaso exercidos pelo branco, são pouco visíveis, embora ainda presentes quando "colidem interesses da sociedade envolvente com os daqueles povos" (CABRAL, 2002, p. 10). O inverso também nos pareceu verdadeiro.
The object of this research was to clear up, through the discoursive practice analysis, the relation between the narrative discourses and the developed representations about the process of the add culture and the lost of the identification of Terena's people, evidencing changes and values in the religious, social, linguistic and ethnical affirmation plans. The corpus is constituted by eighteen oral descriptions and two versions of the origin myth, in which we fetch the representation nature. There were interviewed eighteen Terena Indians of the both sexes and of different ages of the Bananal, Ipegue, Imburussú, Lagoinha and Água Branca villages, situated in Aquidauana city in MS. Based on the principle according to which the method to study the social change can be the linguistic analysis (FAIRCLOUGH, 2001) the analysis focuses the linguistic structures or linguistic constructions and the enunciative strength of promises, orders, threatens, looking for the relation between the discoursive practice and the social practice, and also the identification of changes in relations of power represented in the interviews. The work is organized in two chapters: in the first "Knowing the Terena people"-, it's found a quick ethnical history, focalizing its distribution on Brazilian territory; the second - "Beliefs and myths: representations on the Terena world" - it's extended from considerations about the concept of myth and its extension on the contemporary societies until an analysis of two versions of the Terena origin myth and the interviews analysis. The research showed the social importance of the language on the social life and its influence on the relations and social identities and, on the discursive practice. Even the younger Terena recognize that the olders have autonomy to speak "this way"; although, by the influence of the white people school and culture as a past heritance, someone starts to see the older and their discourse as past heritance, which influences their behavior: they seem not to be affected by the Terena tradition discourse. The imaginary formation that is had from the older person is of a person that knows what says because they bring the heritance root by history of their people already the image that they have from themselves is of people subordinated to beliefs and myths of the Terena people, that, accepting this culture, they will guarantee their existence, reaffirming their identity. The say place, guaranteed (or recovered?) on the origin myth, seems to dislocate on the interviews discourse: there, some Terena don't speak from Terena place anymore, but, as the not - Indian, they speak about the Indian: they seem to have incorporated the image that they need from the other to speak about and for them. Actually, they seem to assume their "belonging" to a culture which is not Terena, proving what historiographer and anthropologists have been discussing from decades (if not centuries): the Indian have lost their voice. It's like if they have gone back to the hole covered by grass? The prejudice and the no value exercised by the white, they are little visible, although still present when "interests form the society collide with the ones from that people" (CABRAL, 2002, p. 10). The inverse also seemed true to us.
Palavras-chave: Índios Sul-Americanos
Discurso
Identidade Cultural
Mudança Cultural
Indians, South American
Discourse
Cultural Identity
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/1367
Data do documento: 2006
Aparece nas coleções:Programa de Pós-graduação em Letras (Campus de Três Lagoas)

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