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Tipo: Dissertação
Título: A imagem do estudante e do governo militar no discurso do jornal O Estado de S. Paulo
Autor(es): Brito, Irení Aparecida Moreira
Abstract: Este trabalho mostra como o jornal O Estado de S. Paulo construiu a imagem do estudante e do governo militar em dois períodos distintos: durante a ditadura militar e ao final do processo de abertura democrática. Buscou-se analisar como os discursos foram construídos nos dois contextos históricos, para representar aqueles dois atores – o estudante e o governo militar – e como o jornal põe em cena, nas notícias, um simulacro da realidade, de forma que os leitores sejam orientados na aceitação de algumas verdades. Utilizou-se como aparato teóricometodológico a Semiótica greimasiana, bem como as propostas oferecidas por alguns de seus sucessores. O corpus é composto por 15 textos: oito deles são notícias integrantes da reportagem de cobertura que O Estado de S. Paulo realizou sobre o XXX Congresso da UNE, ocorrido em 12 de outubro de 1968, e sete são notícias que compõem a reportagem de cobertura que o mesmo jornal fez do Comício da Sé, realizado na Praça da Sé em 25 de janeiro de 1984. A pesquisa demonstrou que o enunciador mudou seu ponto de vista tão logo mudou o panorama social e histórico. Durante o regime militar, posicionou-se contrário ao movimento estudantil, como revelaram as estratégias discursivas. Por outro lado, na abertura democrática, o mesmo enunciador demonstrou estar ao lado daqueles que tentavam derrubar o regime militar. Esse aspecto revelou a inconstância do discurso jornalístico e, portanto, sua subjetividade. Nas notícias veiculadas em 1968, o governo militar foi caracterizado de forma positiva, enquanto os estudantes foram caracterizados de forma negativa. Em 1984, a estratégia utilizada foi mencionar o governo militar de forma pressuposta, o que não traz tanta responsabilidade sobre o que se diz, e quanto aos estudantes, o jornal optou por não os mencionar. Nesse outro momento, o jornal não precisava dessa figura para contrapor-se à do governo militar, pois a sociedade representava esse papel. Considerando-se esses aspectos, constatou-se que a leitura que se realiza sobre um fato é sempre passível de manipulação. Toda ação humana envolve uma manipulação do ponto de vista semiótico. Todo destinador tem a possibilidade de modalizar seu destinatário, de fazê-lo crer em seus valores. É dessa maneira que o discurso manipula, independente de sua modalidade.
This study demonstrates how O Estado de S. Paulo Journal has built the student and the military government images in two distinct periods: during the military dictatorship and during the final process of the democratic opening. It analyzes how the discourses have been built during both historical contexts, to represent those two actors – the student and the military government – and how the news are highlighted by the newspaper, a reality simulation so that the readers became oriented to accept them as truths. It has been used Greimas Semiotics as the methodological and theoretic basis, as well as the propositions offered by some of his followers. The corpus is composed by fifteen texts: eight of them are integrated news from the coverage reports on the UNE XXX Congress, published by O Estado de S. Paulo, in October 12th, 1968, and seven are news which compose the coverage report made by the same newspaper of the Assembly of Sé, that took place in Square of Sé – São Paulo State, in January 25, 1984. The research demonstrated that the announcer changed its point of view as soon as had been changed the social and historical panorama positioning itself, during the military regime, against the student movement as revealed by its discursive strategies. On the other hand, with the democratic opening, the same announcer demonstrates be alongside those who have tried to overthrow the military regime. That showed the inconstancy of journalistic speech and therefore its subjectivity. According to 1968´s reports the military government was characterized in a positive way while the students were characterized in a negative way. In 1984 the strategy was to mention the military government so as purported, which doesn’t bring as much responsibility for what we say and as for the students, the newspaper had chosen not refer to them. In that moment the newspaper didn’t need this figure to contrast to the military government because the society was representing that role. Considering these aspects, it emerged that the reading that takes place on a fact is always open to manipulation. Every human action involves a manipulation according to a semiotic view. Every sender has the possibility to modalize his addressee; to make one believes in his values. This is how the speech manipulates, regardless of its form.
Palavras-chave: Semiótica
Discurso
Jornais - aspectos sociopolíticos
Estudantes
Governos Militares (1964-1985)
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/1135
Data do documento: 2007
Aparece nas coleções:Programa de Pós-graduação em Letras (Campus de Três Lagoas)

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