Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/14294
Tipo: Tese
Título: A CORPORIFICAÇÃO TENSIVA DA POLÊMICA: UMA PROPOSTA TIPOLÓGICA DE ENUNCIADOS SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19
Autor(es): MARCELO EDUARDO DA SILVA
Primeiro orientador: Sueli Maria Ramos da Silva
Resumo: Estendida de 11 de março de 2020 a 5 de maio de 2023, a pandemia de Covid-19 foi marcada por uma disputa entre quem respeitava e quem rechaçava as normativas defendidas por grande parte dos especialistas da área da saúde. Atentos a essa conjuntura, pensamos semioticamente essa polêmica para defendermos a tese de que ela pode ser percebida enquanto corpo discursivo (Discini, 2015), a ponto de apresentar um estilo (Discini, 2015). Propomos de forma inovadora que o estilo pode ser percebido também no cotejo entre textos de enunciadores distintos e nos perguntamos: como se desenvolve a ‘corporificação’ da polêmica? Inspirados por essa indagação, nosso objetivo geral é propor uma tipologia da polêmica a partir da análise de corpus formado por textos de gêneros diversos selecionados por terem pontos em comum que assinalam para as noções de totus (princípio que remete à totalidade de manifestações de determinado ator/corpo enunciativo) e unus (que indica uma unidade). Os textos datam sobretudo de 2020 e 2021 (auge do período pandêmico, quando embates ficaram exacerbados por conta de medidas como fechamento de estabelecimentos comerciais e religiosos) e são levados em consideração por manifestarem conflitos que emergiram em vários setores da sociedade e por comporem, a nosso ver, uma síntese de elementos capazes de serem ordenados ao mesmo tempo como gráficos e redes tensivos e como amostras de perturbação na/da relação Eu-Outro. Perturbação essa que, conforme verificado nas análises, é o elemento crucial que (re)constrói a polêmica, graduada a partir da percepção da foria e seus acréscimos ou decréscimos de mais ou de menos para formular diagramas, gráficos e redes tensivos. Fazem parte do corpus: um pronunciamento do bispo evangélico Edir Macedo veiculado em redes sociais e uma celebração ministrada pelo bispo-auxiliar católico Nivaldo dos Santos Ferreira (ambas de março de 2020, com comentários sobre o coronavírus); propaganda institucional do governo de Mato Grosso do Sul (“Coronavírus: a balada pode esperar”, de janeiro de 2021), sobre o distanciamento social; reportagem relatando entrega de alimentos a pessoas em situação de rua em Belém; a confecção de cartilha sobre cuidados sanitários em Dourados (MS) impressa na língua guarani; denúncia a respeito de comentários racistas referentes a indígenas terem preferência à vacina; um evento em que um cliente de sorveteria em Campinas (SP) tem acesso raivoso ao ser abordado por usar inadequadamente a máscara no estabelecimento; projeto de extensão de acolhimento a imigrantes formulado por uma universidade em Campo Grande. Nossos objetivos específicos perpassam por: identificar como os enunciadores envolvidos têm seus éthe constituídos nesse processo e como utilizaram argumentos retóricos (como algumas figuras de linguagem) visando a obter a adesão da opinião pública; como as investidas de cada lado fizeram sobressair diante do público o afeto como elemento persuasivo; e como essa disputa de pontos de vistas díspares influiu na aspectualização dos atores envolvidos. Destarte, precisamos dar conta do espaço contínuo entre os termos opostos indicados no quadrado semiótico original da Semiótica Discursiva. Para tanto, propomos como base teórica pressupostos da Semiótica Tensiva e da Sociossemiótica, por entendermos que essas correntes acrescentam outros operadores às análises (como relações gradativas e os regimes de interação e sentido, respectivamente). Mobilizamos, ademais, conceitos como quase-presença (ferramenta de medição da densidade do corpo), éthos (a imagem do enunciador perante o enunciatário) e páthos (o afeto que influencia o enunciatário). Metodologicamente, nos moldes de redes e diagramas tensivos, são graduados elementos conforme similaridades e/ou distinções enunciativas que configuram um corpo discursivo polêmico. Entender a polêmica durante a pandemia contribui para que possamos interpretar melhor nosso próprio agir em sociedade. Assim sendo, consideramos que nossas análises auxiliam nos esforços para a compreensão científica (especificamente na Semiótica) sobre o dissenso e colabora para a retomada da retórica nas pesquisas semióticas.
Abstract: Between March 11, 2020, to May 5, 2023, the Covid-19 pandemic was marked by a dispute between those who respected and those who rejected the guidelines advocated by most health experts. Aware of this situation, we thought about this controversy semiotically to defend the thesis that it can be perceived as a discursive body (Discini, 2015), to the point of presenting a style (Discini, 2015). We propose, in an innovative way, that style can also be perceived in the comparison between texts from different speakers, and we ask ourselves: how does the ‘embodiment’ of the polemic develop? Inspired by this question, our overall objective is to propose a typology of polemics based on the analysis of a corpus formed by texts of various genres selected for having points in common that point to the notions of totus (a principle that refers to the totality of manifestations of a given actor/enunciative body) and unus (which indicates a unit). The texts date mainly from 2020 and 2021 (the height of the pandemic period, when clashes were exacerbated by measures such as the closure of commercial and religious establishments) and are taken into account because they express conflicts that emerged in various sectors of society and because, in our view, a synthesis of elements that can be ordered both as graphs and tension networks and as samples of disturbance in/of the I-Other relationship. This disturbance, as verified in the analyses, is the crucial element that (re)constructs the polemic, graded from the perception of phoria and its increases or decreases of more or less to formulate diagrams, graphs, and tensive networks. The corpus includes: a statement by evangelical bishop Edir Macedo posted on social media and a celebration led by Catholic auxiliary bishop Nivaldo dos Santos Ferreira (both from March 2020, with comments on the coronavirus); institutional propaganda from the government of Mato Grosso do Sul, whose name “Coronavírus: a balada pode esperar” (“Coronavirus: the party can wait,” from January 2021), about social distancing; a news report on food delivery to homeless people in Belém (capital of Pará, in the Northern of Brazil); the production of a booklet on health care in Dourados (state of Mato Grosso do Sul, MS, Midwest of Brazil) printed in the Guarani language; complaint about racist comments regarding indigenous people having preference for the vaccine; an event in which a customer at an ice cream shop in Campinas (in São Paulo, Southeast of Brazil) reacts angrily when approached for improperly wearing a mask in the establishment; an extension project to welcome immigrants formulated by a university in Campo Grande (MS). Our specific objectives include: identify out how the speakers involved have their ethe constituted in this process and how they used rhetorical arguments (such as figures of speech) to gain public support; how the attacks from each side highlighted affection as a persuasive element in the eyes of the public; and how this dispute between disparate points of view influenced the aspectualization of the actors involved. Thus, we need to account for the continuous space between the opposing terms indicated in the original semiotic square of Discursive Semiotics. To this end, we propose the assumptions of Tensive Semiotics and Sociosemiotics as a theoretical basis, as we believe that these currents add other operators to the analyses (such as gradual relations and regimes of interaction and meaning, respectively). We also mobilize concepts such as “an almost presence” (a tool for measuring body density), ethos (the image of the speaker before the listener), and pathos (the emotion that influences the listener). Methodologically, following the model of networks and tensional diagrams, elements are graded according to similarities and/or enunciative distinctions that configure a polemical discursive body. Understanding the polemic during the pandemic helps us to better interpret our own actions in society. Therefore, we believe that our analyses contribute to efforts to achieve scientific understanding (specifically in semiotics) of dissent and contribute to the resumption of rhetoric in semiotic research.
Palavras-chave: Tipologia polêmica
Pandemia
Éthos
Estilo
Corpo
País: Brasil
Editor: Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Sigla da Instituição: UFMS
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/14294
Data do documento: 2025
Aparece nas coleções:Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagens

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