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Tipo: Tese
Título: CONSTRUÇÃO PSEUDOPREDICATIVA DE FINGIMENTO [Vrel+(X/Ø)+de+Predt] ↔ [atributiva] NO PORTUGUÊS BRASILEIRO
Autor(es): Kátia Roberta Rodrigues Pinto
Primeiro orientador: Taisa Peres de Oliveira
Resumo: Esta tese se concentra em investigar a variação entre as microconstruções/aloconstruções da Construção Pseudopredicativa de Fingimento (CPF) no português brasileiro (PB) na atual sincronia, consideradas formas variantes de atribuição do estado fingido no sentido de agir como se fosse ou passar-se por. A CPF é resultado do pareamento forma ↔ significado [Vrel+(X/Ø)+de+Predt] ↔ [atributiva] composta por slots abertos que podem ou não ser preenchidos: o slot Vrel abrange os verbos fingir, fazer, dar, pagar e bancar; o slot (X/Ø) é mais restrito, confere a presença ou a ausência de material interveniente e o slot Predt sanciona referentes atributivos qualificadores. O objetivo central desta tese de doutoramento consiste em investigar de que modo as propriedades morfossintáticas, semântico-pragmáticas e discursivas, compartilhadas entre as microconstruções/aloconstruções, possibilitam a sua integração na rede da CPF como formas variantes, com suas similaridades e dissimilaridades. Assumindo a perspectiva teórico-metodológica dos Modelos Baseados no Uso (Kemmer; Barlow, 2000), em especial da Gramática de Construções Baseada no Uso (Goldberg, 1995; 2006; 2019; Traugott; Trousdale, 2013 [2021]) em consonância com os pressupostos cognitivistas de Bybee (2010 [2016]), a visão multidimensional de rede (Diessel, 2015; 2019; 2023) e o tratamento de variação proposto por Capelle (2006), parte-se da hipótese que as microconstruções/aloconstruções são variantes em competição que estabelecem relações horizontais motivadas, principalmente, por associações semânticas entre os referentes atributivos/lexemas que preenchem o slot Predt, manifestando níveis distintos de produtividade. A análise é sustentada por um corpus composto por dados extraídos de páginas de web que abrangem usos formais e informais, contemplando onze microconstruções: [fingir de+(Predt)], [dar de+(Predt)], [pagar de+(Predt)], [bancar de+(Predt)], [fingir-se de+(Predt)], [fazer-se de+(Predt)], [se fingir de+(Predt)], [se fazer de+(Predt)], [dar uma de+(Predt)], [pagar uma de+(Predt)] e [bancar uma de+(Predt)], examinadas segundo (i) parâmetros que apreciam propriedades formais e de significado quanto a presença/ausência de material interveniente, pessoas gramaticais/do discurso, gradualidade pragmática e polaridade semântico-pragmática; (ii) análise de cluster que mapeia as similaridades semânticas estabelecidas entre os referentes atributivos e (iii) análise colostrucional colexêmica covariante que mede a força de atração/repulsa entre os lexemas da construção. Os resultados da análise constatam que a CPF admite a inserção de material interveniente com a partícula -se, em posição sintática de ênclise e próclise, assim como o artigo indefinido feminino uma, conferindo extensibilidade à rede com quatro subesquemas. Observa-se a preferência por usos em 3ª pessoa, em contextos subjetivos acusativos e/ou de julgamento, com polaridade semântico-pragmática disfórica (Psp-). A atração combinatória entre microconstruções/aloconstruções e referentes atributivos/lexemas estabelecem relações simbólicas ativadas por associação semântica entre os clusters, via analogia e por extensão metafórica, aferidos pelas frequências type, token e hapax, evidenciando padrões produtivos por extensibilidade e generalidade, bem como demonstra a capacidade de expansão por meio da produtividade hapax. Os resultados corroboram a hipótese aventada ao atestar que a promoção de formas variantes da CPF, ou seja, aloconstruções, decorre da compatibilização semântica entre as preferências combinatórias da construção capturadas pela metaconstrução.
Abstract: This dissertation investigates variation among microconstructions and alloconstructions of the Pseudopredicative Feigning Construction (CPF) in Brazilian Portuguese in the current synchronic stage, understood as variant forms of attributing a feigned state, i.e., acting as if or passing oneself off as. The CPF is defined by the form ↔ meaning pairing [Vrel+(X/Ø)+de+Predt] ↔ [attributive], composed of open slots that may or may not be filled: Vrel includes the verbs fingir (to pretend), fazer (to make/do), dar (to give), pagar (to pay), and bancar (to pose as); (X/Ø) indicates the presence or absence of intervening material; and Predt licenses qualifying attributive referents. The study examines how morphosyntactic, semanticpragmatic, and discourse properties shared across microconstructions and alloconstructions enable their integration into the CPF network as variant forms, highlighting their similarities and differences. Grounded in Usage-Based Models (Kemmer; Barlow, 2000) and Usage-Based Construction Grammar (Goldberg, 1995; 2006; 2019; Traugott; Trousdale, 2013 [2021]), aligned with Bybee’s cognitivist assumptions (2010 [2016]), the multidimensional network perspective (Diessel, 2015; 2019; 2023), and Cappelle’s approach to variation (2006), this study posits that microconstructions and alloconstructions are competing variants forming horizontal relationships, primarily shaped by semantic associations among Predt slot referents, with varying productivity levels. Data were drawn from a web-based corpus representing formal and informal usage, covering eleven microconstructions: [fingir de+(Predt)], [dar de+(Predt)], [pagar de+(Predt)], [bancar de+(Predt)], [fingir-se de+(Predt)], [fazer-se de+(Predt)], [se fingir de+(Predt)], [se fazer de+(Predt)], [dar uma de+(Predt)], [pagar uma de+(Predt)], and [bancar uma de+(Predt)]. These were analyzed via (i) formal and semantic parameters, including intervening material, grammatical/person distinctions, pragmatic gradience, and semanticpragmatic polarity; (ii) cluster analysis of semantic similarities among referents; and (iii) covariant collexeme analysis, measuring attraction and repulsion among construction lexemes. Results indicate that the CPF permits insertion of intervening material with the particle -se in enclitic or proclitic positions, as well as the feminine indefinite article uma, extending the network with four subschemas. Third-person usage predominates in subjective accusative and/or judgmental contexts with disfavorable semantic-pragmatic polarity (Psp-). Combinatorial attraction between microconstructions/alloconstructions and referents establishes symbolic relations, mediated by semantic associations among clusters, via analogy and metaphorical extension, measured by type, token, and hapax frequencies. Findings reveal patterns of extensibility and generality, demonstrating the network’s capacity to expand through hapax productivity. Overall, the results support the hypothesis that the promotion of CPF variant forms (alloconstructions) arises from semantic compatibility among the construction’s combinatorial preferences, as captured by the constructeme.
Palavras-chave: Variação. Produtividade. Cluster semântico. Modelos Baseados no Uso. Construções Pseudopredicativas de Fingimento.
País: Brasil
Editor: Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Sigla da Instituição: UFMS
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/14329
Data do documento: 2026
Aparece nas coleções:Programa de Pós-graduação em Letras (Campus de Três Lagoas)

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