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https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/14297| Tipo: | Dissertação |
| Título: | ASSOCIAÇÕES ENTRE FATORES MATERNOS, INTERAÇÃO E DESFECHOS PRECOCES DO DESENVOLVIMENTO EM LACTENTES PRÉ-TERMO |
| Autor(es): | ANA CAROLINA AGUIRRES BRAGA |
| Primeiro orientador: | Daniele de Almeida Soares Marangoni |
| Resumo: | Introdução: A saúde materna, as condições gestacionais e a qualidade da interação mãe-lactente exercem influência significativa sobre o desenvolvimento infantil. Entretanto, ainda são escassos os estudos que acompanham lactentes pré-termo desde o período de hospitalização até os primeiros meses após a alta, combinando avaliações neuromotoras precoces, medidas padronizadas de desempenho neuropsicomotor e indicadores da dinâmica mãe-lactente. Objetivo: Investigar as associações entre a qualidade dos general movements (GMs), interação mãe-lactente, estresse percebido materno e desenvolvimento infantil em lactentes pré-termo durante a hospitalização e após a alta. Metodologia: Estudo observacional analítico longitudinal conduzido entre outubro de 2024 e outubro de 2025. Os lactentes foram avaliados na admissão do estudo, na alta hospitalar e aos 3 meses de idade corrigida para a prematuridade, por meio da General Movements Assessment (GMA) e, aos 4 meses, pela Escala Bayley de Desenvolvimento do Bebê e da Criança Pequena, terceira edição (BSDI-III). O estresse materno foi mensurado pela Escala de Estresse Percebido (PSS-14) quando o lactente atingia 40 semanas, e a interação mãe-lactente foi avaliada aos 3 meses pela Recorded Interaction Task (RIT). As categorias da GMA foram comparadas pelo teste exato de Fisher, com magnitude expressa pelo V de Cramer. As relações entre interação mãe-lactente, estresse materno e desempenho na BSDI-III foram analisadas por correlação de Spearman, sendo as variáveis significativas incluídas em modelos de regressão linear. Resultados: Participaram 57 díades mãe-lactente; destas, 23 díades realizaram o seguimento completo. Observou-se associação significativa entre a qualidade dos GMs na admissão e na alta (p = 0,003; V = 0,690). Não houve associação entre os GMs na alta e aos 3 meses de idade (p = 1,000). A qualidade da interação mãe-lactente correlacionou-se de forma moderada e significativa com a linguagem (ρ = 0,588; p = 0,013). Considerando-se isoladamente o engajamento do lactente, essa associação foi forte e significativa (ρ = 0,653; p = 0,005). Em contrapartida, a interação materna isolada não se associou de forma significativa à linguagem do lactente (ρ = 0,434; p = 0,082). No que se refere ao domínio cognitivo, a qualidade da interação mãe-lactente demonstrou uma correlação moderada e significativa, tanto pelo escore total (ρ = 0,520; p = 0,033) quanto pelo engajamento do lactente, analisado isoladamente (ρ = 0,496; p = 0,043). A interação materna, por sua vez, não mostrou correlação estatisticamente significativa com o desempenho do lactente (ρ = 0,333; p = 0,192). Não houve correlação entre as pontuações no RIT e o domínio motor (ρ’s < 0,357; p’s > 0,159) da BSDI-III. O estresse materno percebido correlacionou-se de forma negativa e moderada com o domínio de linguagem (ρ = –0,416; p = 0,048), indicando que quanto maior a percepção materna de estresse, pior o desempenho linguístico do lactente. Não foram encontradas correlações significativas entre estresse materno e os domínios cognitivo (ρ = -0,155; p = 0,480) e motor (ρ = –0,013; p = 0,951) da BSDI-III. Na regressão linear múltipla, o modelo para o desempenho linguístico mostrou-se significativo [Fp = 0,030], indicando que o estresse materno exerceu efeito sobre esse domínio. Níveis mais elevados de estresse associaram-se a pior desempenho linguístico do lactente, explicando 32% da variância do escore de linguagem. O modelo para cognição não foi estatisticamente significativo [p = 0,314]. Conclusão: A trajetória favorável dos modelos maternos reforça a capacidade de organização neurológica precoce, apesar da vulnerabilidade clínica na ausência de lesão cerebral. A interação entre mãe e bebê foi um preditor do desenvolvimento precoce da linguagem e da cognição infantil, e o estresse materno foi um preditor do desenvolvimento precoce da linguagem infantil. Esses achados são consistentes com um modelo diádico do desenvolvimento inicial, no qual o risco biológico, o estado emocional materno e o envolvimento diádico estão inter-relacionados e associados conjuntamente às trajetórias de desenvolvimento. |
| Abstract: | Introduction: Maternal health, gestational conditions, and the quality of mother-infant interaction exert a significant influence on child development. However, studies that follow preterm infants from the period of hospitalization through the first months after hospital discharge-combining early neuromotor assessments, standardized measures of neuropsychomotor performance, and indicators of mother-infant interaction dynamics-remain scarce. Objective: To investigate the associations among the quality of general movements (GMs), mother-infant interaction, perceived maternal stress, and infant development in preterm infants during hospitalization and after hospital discharge. Methods: This was a longitudinal analytical observational study conducted between October 2024 and October 2025. Infants were assessed at study enrollment, at hospital discharge, and at 3 months of corrected age for prematurity using the General Movements Assessment (GMA). At 4 months of corrected age, development was evaluated using the Bayley Scales of Infant and Toddler Development, Third Edition (BSID-III). Maternal stress was measured using the Perceived Stress Scale (PSS-14) when infants reached 40 weeks of postmenstrual age, and mother-infant interaction was assessed at 3 months using the Recorded Interaction Task (RIT). GMA categories were compared using Fisher’s exact test, with effect size expressed by Cramer’s V. Associations among mother-infant interaction, maternal stress, and BSID-III performance were examined using Spearman’s correlation, and significant variables were subsequently included in linear regression models. Results: A total of 57 mother-infant dyads participated in the study, of which 23 completed the full follow-up. A significant association was observed between GMs quality at admission and at hospital discharge (p = 0.003; V = 0.690). No association was found between GMs at discharge and at 3 months of age (p = 1.000). The quality of mother–infant interaction showed a moderate and significant correlation with language outcomes (ρ = 0.588; p = 0.013). When infant engagement was analyzed separately, this association was strong and statistically significant (ρ = 0.653; p = 0.005). In contrast, maternal interaction alone was not significantly associated with infant language performance (ρ = 0.434; p = 0.082). Regarding the cognitive domain, mother–infant interaction quality demonstrated a moderate and significant correlation both for the total score (ρ = 0.520; p = 0.033) and for infant engagement analyzed independently (ρ = 0.496; p = 0.043). Maternal interaction, in turn, did not show a statistically significant correlation with infant performance (ρ = 0.333; p = 0.192). No correlations were found between RIT scores and the motor domain of the BSID-III (ρ’s < 0.357; p’s > 0.159). Perceived maternal stress was moderately and negatively correlated with the language domain (ρ = −0.416; p = 0.048), indicating that higher levels of perceived maternal stress were associated with poorer infant language performance. No significant correlations were identified between maternal stress and the cognitive (ρ = −0.155; p = 0.480) or motor domains (ρ = −0.013; p = 0.951) of the BSID-III. In the multiple linear regression analysis, the model for language performance was statistically significant (Fp = 0.030), indicating that maternal stress exerted an effect on this domain. Higher stress levels were associated with poorer infant language performance, accounting for 32% of the variance in language scores. The model for cognition was not statistically significant (p = 0.314). Conclusion: The favorable trajectory of GMs reinforces the capacity for early neurological organization despite clinical vulnerability in the absence of brain injury. Interaction between mother and infant was a predictor of infant early language and cognition, and maternal stress was a predictor of early infant language. These findings are consistent with a dyadic framework of early development, in which biological risk, maternal emotional state, and dyadic engagement are interrelated and jointly associated with developmental trajectories. |
| Palavras-chave: | Desenvolvimento Infantil Desenvolvimento Motor Recém-Nascido Prematuro Relações Mãe-Filho Serviços de Saúde Materno-Infantil . |
| País: | Brasil |
| Editor: | Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul |
| Sigla da Instituição: | UFMS |
| Tipo de acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/14297 |
| Data do documento: | 2026 |
| Aparece nas coleções: | Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento |
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